Costela assada [por 19 horas]

Sep
2009
02

posted by on Carnes, Divagações

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“Poxa, tanto trabalho pro prato acabar num piscar de olhos? Tô fora!”
Que cozinheiro, amador ou não, nunca ouviu algo parecido com essa frase?

Eu desisti de tentar explicar. Continuo com meu amor às panelas. Muitas vezes me divirto mais cuidando da comida do que propriamente comendo-a.
Só que nesse caso foi diferente. Me diverti bastante. Me cansei bastante. Mas no fim, comi com gosto, tanto que me arrependendo de não ter feito o prato em quantidade triplicada.

Começou na sexta feira à tarde, no Twitter.
A chef Roberta Sudbrack falava que estava quase no fim do preparo de uma costela de boi, que estava assando haviam 28 horas.
É muito legal ver o amor com que ela trata os pratos que faz. Engraçado, será que ela também ouviu a frase lá do começo do texto? Acho que sim!
Ela foi muito atenciosa, me explicando prontamente a temperatura em que estava assando a costela: 60-80 graus.

Pois bem, eu fiquei hipnotizado por fazer algo assim.
Já havia assado costela, tanto no forno, quanto no churrasco. Já havia feito matambre. Mas tanto carinho assim, com uma peça de carne?
Diversão à vista!

Saí do trabalho, comprei uma bela peça de costela, de 3 quilos e meio.
Não muito magra. Mas não absurdamente gorda.

Fui pra casa e a temperei com cerca de 600 ml de vinho tinto bem honesto, duas cebolas raladas, um tanto de alho picado, tomilho fresco, salsa desidratada e pimenta do reino. Sal fino mesmo, por toda a sua superfície.
Furei a carne toda e a deixei na marinada por cerca de duas horas, virando-a na metade do tempo.

Eram 8 horas da noite de sexta-feira e ela foi pro forno, pré-aquecido à 80 – 90 graus.
É a menor graduação do meu forno, que é elétrico.

Chegaram os amigos.
Pedimos pizza mesmo.
Cerveja.
Vodka.
Coca-cola.
Arguile.
Videogame.
Música.
Risadas.

4 horas da manhã.
Com um detalhe: meu forno, de apartamento, tem um timer máximo de duas horas.
De duas em duas horas (menos até), lá estava eu girando o botãozinho do timer novamente.

Dava tempo de tirar um cochilo.
Namorida ia trabalhar cedo, ela dava corda no timer pra mim.

8 horas. Solzão já estralando lá fora.
O forno começaaaava à cheirar.
A manhã de sábado rolou inteirinha, deu tempo de fazer feira, nadar um pouquinho e combinar o almoço com os amigos.
13 horas do sábado.
Que fome. Que perfume maravilhoso!

Retirei o papel alumínio.
Uma horinha de forno de cada lado. As duas últimas horas foram à 100 – 110 graus.
Ela ficou numa cor linda, a fome já era insuportável.

Amanteigada. Caramelizada.
Fala sério… que coisa deliciosa!
19 horas de forno.
10 minutos na mesa.
E eu com o sorriso de orelha à orelha.

Costela
Já combinei um churrasco pro próximo final de semana. Alguém duvida se vai ter costela?

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