Carne moída [ou uma das melhores comidas do mundo]
2011
Lá em casa, quando criança, não havia muito luxo.
Não, não tô me lamentando pelas dificuldades financeiras da época. O que não rolava muito em minha casa era uma cultura gastronômica mais apurada. Mamãe é uma cozinheira de mão-cheia, mas nunca foi muito inventiva.
Risotto, por exemplo, eu só fui aprender o que era depois de adulto. A bolachinha de amendoim que ela fazia, era um senhor cookie, entendi isso há pouco tempo.
Comida de festa era feijoada ou bacalhaoada. E fim de papo.
Sorvete? De flocos e olhe lá!
Aprendi a comer de forma muito simples. E talvez seja por isso que eu sempre prefira as coisas mais simples.
E o que pode ser mais simples do que carne moída? Pra comer no meio do arroz e feijão?
Ou, acompanhando lindas batatas assadas, como fizemos aqui:
E essa é uma coisa que não tem muita receita. É algo que sempre vi minha mãe fazendo “a olho”.
E é desse jeito que eu queria que você tentasse fazer. Posso te ajudar com algumas dicas, talvez:
- Eu uso bacon em meu preparo. Então, na panela em que farei a carne, frito o bacon, sem deixá-lo esturricado e o reservo, sem descartar a gordura que ele vai soltar.
- Nessa gordura, na mesma panela, eu frito cebolas bem picadinhas, dourando bem, mas sem queimá-las. Reservo-as também.
- Sempre na mesma panela, coloco a carne moída (adoro patinho, moído duas vezes) e faço o que considero mais importante: frito a carne moída, sem parar de mexer, para secar bem a carne, retirando aquele aroma de sangue e deixando as bolinhas bem separadas.
- Tá tudo sequinho e bem separado? Que tal uma bebidinha, pra dar um aroma especial? Rum, conhaque e whisky funcionam bem.
- Chega a hora de temperar: volte com a cebola, o bacon para a panela, adicione um pouco de caldo (eu gosto de usar caldo de legumes), tomates sem pele e sem sementes picados (eles vão sumir, mas deixar seu sabor na panela). Cominho, pimenta calabresa, pimenta do reino, pimenta síria, canela (sério, é frenético usar canela na carne!), tudo pra confundir sua cabeça, com tantos sabores diferentes.
- Azeitona. Nem tenho que falar que carne moída sem azeitona é igual Romeu sem Julieta, né?
- E, pra fechar, dois verdinhos deliciosos: Ervilhas e salsinha. A salsinha sempre bem picada e as ervilhas, sempre da congelada, pois a enlatada não tem cor e gosto de nada.
- Eu não falei de sal, né? É porque ele não é tão necessário. Depende da quantidade de bacon (eu uso muito!) e do caldo que você está usando. Prove no final e acerte o sal, se precisar. E prepare um prato grande, pois eu tenho certeza de que você vai comer muito!
Um post que era pra ser algo tão simples, está enorme. Quem disse que as coisas simples não têm as suas manhas?
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11 comments
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Lanche buraco-quente
[...] tal fazer aquela carninha moída que você ficou morrendo de vontade nos últimos dias e, com as eventuais sobras, ...














Leandro, vc me pegou pelo estômago, carne moída é para mim uma das maiores iguarias, adoro, simples assim.
E a sua, menino, esta de babar, a medida que fui lendo o post fui salivando a cada palavra e só imaginando o sabor da sua carne moida.
Bjo
Fê
Isso aí dentro de um pastel fica uma coooisa! Delícia, Lê!
Carne moida com abóbora tá no top de comidas favoritas da vida. É amor demais <3
Nossa que delícia!!!
Tudo de gostoso é o blog de vcs.
Eu tb tenho um, o http://modafastefood.blogspot.com/, mas é mais voltado a lugarzinhos bacanudos de comer, viver e vestir.
E coloquei vcs na minha wish list, ok?
beijos e boa sorte
Leandro, entendo perfeitamente o que vc quiz dizer. Adoro comer, me divirto cozinhando pra família, em especial pro pequenino que já tá crescendo e adora comer comida de gente grande.
Na minha família também foi como na sua, não por incompetência de quem cuidava da cozinha, muito pelo contrário, mas por falta de imaginação mesmo. Minha avó cozinhava muito bem mas o repertório era um tanto curto. Se não repetisse alguma(s) receita(s), não chegaríamos ao final do mês
Já à minha mãe, sobrava vontade de variar mas faltava-lhe técnica (ainda falta), especialmente no tempero, sempre carente de um toquezinho à mais de alguma coisa pra realçar o sabor, mas era uma comida honesta e saudável.
E com a carne moída (ou boi ralado, como eu gostava de chamar quando ainda era solteiro – puro carinho e zoação, nada depreciativo), apesar de simplérrimo no preparo, acompanhado de arroz, feijão com bastante caldo, uma farinha de mandioca torrada com cebola picada, sal e um tanto de manteiga que eu mesmo fazia e um “zoiúdo estalado” (ovo frito), num verdadeiro prato de peão com uma saladinha ao redor pra ajudar a represar aquela montanha e não deixá-la cair do prato, era e ainda é meu prato favorito. Sabores simples, mas lotados de significado. Nossa, viajei no tempo agora… deu saudades da minha avó e do arroz branco careta que ela fazia… se virasse a panela, caiam todos os grãos um por um, todos perfeitamente cozidos e nenhum grudado, e de um sabor que até hoje não reencontrei em parte alguma. Era de comer um pouco ao menos, puro, sem acompanhamento nenhum.
Leandro, minha infância também foi assim. Risotto também aprendi quando mais velha. Pato então? Só esse ano, acredita?
Adoro carne moída. Não uso bacon, mas deve ficar ótimo! Nesse ano passei a usar um conhaque na receita, e realmente fica especial! ADORO com purê de batata. Para mim é irresistível!
Beijos
Leandro, maior coincidência ler seu post hoje… acabei de publicar um texto sobre “últimas refeições”, e a minha seria carne moída com purê de batatas da minha mãe! As coisas mais simples são as que mais precisam de atenção, né? Adorei suas dicas, vou tentá-las da próxima vez!
Beijocas!
Adoro carne moída!!!!! E adoro comida simples.
Ih amado, vc me fez voltar totalmente no tempo. Na cada dos meus pais era igualzinho… Eu fui muito feliz… Nooossa!!
Bom, eu também faço muito parecido, só que na hora de fritar a carne, uso dois garfos e com chama alta, assim não solta água e fica parecendo uma farinha, de tão soltinho.
Amei sua receita e seu post com sabor saudosista.
Bjs.
As noções de uma gastronomia requintada não faziam parte de minha família também, mas de uma culinária saudavel e do que chamam hoje de confort food (como se houvesse uma corrente que pregasse unconfortable food..). E a carne moída,, que pode ter acessórios diversos – um ovo cozido picado, cenouras, o que der na telha no momento – é o que chamo de cozinha generosa. Ótimo post, abraços.