Brasilidades, camarão na moranga, cozinha pequena e outras bossas

Jun
2008
11

posted by on Divagações

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No mês passado, quando minha editora passou a pauta da edição de junho do jornal em que trabalho como fotógrafa, precisei ler duas vezes, pausadamente, para ver se tinha entendido direito.
No caderno Food and Wine, ela queria uma matéria sobre culinária brasileira, incluindo entrevista e receita. Até aí tudo bem, ou melhor, até a página seguinte onde descobri que a entrevistada seria ninguém menos do que eu.

Confesso que na hora me senti lisonjeada por ela me confiar a tarefa, mas a angústia rapidamente tomou conta dos meus 1,64m (sim, sou baixinha).
Primeiro, porque como jornalista, é muito estranho estar “do outro lado”, ou seja, ser entrevistada. Já havia passado por isso na Alemanha, há três anos, quando dei uma entrevista sobre turismo ecológico na região da Bohemia (onde eu morava) para a CNN. Na ocasião, estava com uma amiga da minha mãe – também jornalista, que fora me visitar – e lembro-me perfeitamente o momento em que lá pelas tantas, no meio da reportagem, nós duas cruzamos os olhares e franzimos a testa, como se estivéssemos dizendo: – Mas que raios estamos fazendo aqui???? (Rimos muito até hoje com esse “causo”, claro.).
Segundo, porque eu acho uma responsabilidade abissal falar sobre um país de dimensões continentais, de cultura tão vasta, tão rica e de tantas influências, ainda que se tenha nascido e vivido boa parte nele. – Meu Deus! Tem coisa (muitas!) que eu nunca nem comi!! E se a jornalista me perguntar o gosto do tucupi? Ou qual o prato típico do Chuí? O que eu digo??
Terceiro, porque aqui na Australia comunicação e informação são tratadas de maneira muito séria. O povo lê jornal, é culto e exigente com isso, portanto qualquer tropeço no assunto pode gerar um problema. Meu jornal embora seja considerado um pequeno veículo, mantém mala direta de suas edições para grandes publicações. Ou seja, alguns dos maiores editores da capital estariam lendo a qualquer momento minhas “abobrinhas”.
Quarto, porque seria entrevistada pela Josephine Gregoire. Ainda que tenhamos um convívio muito harmonioso de trabalho, sei que ela além de escrever bem, entende de um tudo sobre vinhos e comida pois comanda com muita autoridade juntamente com o marido (o chef francês, ex-professor de gastronomia na Nova Caledônia, Christophe Gregoire) as panelas do Le Très Bon.

Sim, eu estava aflita.

Para o meu alívio, tudo ocorreu da maneira mais tranquila possível. Nos encontramos no restaurante dela, depois do rush do almoço, e nos sentamos ao lado da enorme lareira que aquecia aquela gelada e chuvosa tarde de outono. Josephine que é italiana, me recebeu com um espresso cremoso e um sorriso arrebatador. A entrevista foi na verdade um papo super descontraído não só sobre comida, mas história, culturas, viagens, tradição de família, influências, blog de culinária (oh, yeah!), novidades, invencionices gastronômicas e como boas mães corujas que somos; filhos (no caso, filhas).
E embora naquela ocasião não estivesse trabalhando, me despedi de Josephine com a sensação e dever cumprido. Com a sensação de que causei uma boa impressão sobre nossa culinária, sem ter esquecido dos índios, dos negros, dos europeus e claro, das Ofélias e dos Atalas ;-). O resultado acabou de chegar da gráfica e definitivamente eu estava certa. Na verdade, mais ou menos certa, porque depois dessa experiência, eu estou começando a achar que gosto de dar entrevistas.

entrevista2

A conversa

 

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Cozinha Pequena!

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A receita (Breve em português, aqui no CP)

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  1. tee
  2. Rita
  3. Marcele Martins
  4. Marcele Martins

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  1. Camarão na moranga - cozinha pequena
    [...] é dívida! Aqui está a receita da entrevista, no formato que foi publicada no jornal. Aliás, formato que está …

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