Sushi caseiro
  • sushi8

    Eu não sou uma pessoa muito reticente com sabores, e posso dizer de modo geral, que como de tudo. Quando comecei a ter uma relação um pouco mais estreita com a culinária, percebi que antes de mais nada era preciso ser uma boa “comedora”.
    Longe de mim impor qualquer tipo de teoria ou fazer disso uma regra geral, mas comigo funcionou assim: quanto mais eu me disponibilizava a conhecer os sabores dos alimentos, mais eu aprendia a lidar com eles.
    Aprendia não só a apreciar e a dar o devido valor a cada um (caviar é muito bom e eu gosto, mas tem dias que só a tríade feijão/arroz/bife salva!), como consequentemente, a prepará-los da forma que melhor me agradasse.

    Quando eu morava com a minha mãe, tínhamos um vizinho japonês. E foi lá pelos meus 14 ou 15 anos de idade que provei pela primeira vez sushi.
    O contato visual foi no melhor estilo adolescente curiosa, pois só havia visto aquilo em fotografias.
    Ao comer, percebi que sushi não era a minha praia, embora levasse uma combinação de ingredientes que, separados, faziam meu paladar dar pulinhos de alegria.
    Tentei por mais tantas de vezes, principalmente naquela fase quase adulta, dos vinte anos, onde ir para restaurante japonês com a turma da faculdade era um programinha super cool. Não havia nada que me fizesse ter vontade de voltar a sentar num tatame e ficar batendo palmas para o garçon trazer mais uma rodada de peixe cru e arroz envolto com nori (algas desidratadas). Para piorar minha situacão, meus namorados sempre foram japanese food lovers, e por muitas vezes me lembro de sair, não para jantar, e sim, para acompanhar os rapazotes aflitos em saciar o desejo de comer sushi. (Já repararam como os devotos dessa culinária são subitamente arrebatados por uma enorme vontade, vinda de repente,  não sei lá de onde, de TER que comer sushi???).

    Há de se reconhecer porém, que a estética dos rolinhos e principalmente sua apresentação sempre impecável em barquinhos de madeira ou pratos com formatos modernosos, tem sim o seu valor. Sem contar na figura célebre do sushiman, detentor de técnicas de montagem e cortes, segredos e combinações fabulosas para o preparo do quitute.

    Depois de muito tentar, posso dizer que o Hot Philadelphia se mostrou o “menos pior” de todas as peças que já provei, uma vez que sua confecção consiste no rolinho de arroz, salmão e cream cheese, todos envoltos na alga, empanados em farinha de arroz e fritos em óleos de canola e gergelim, fazendo um estilo tempura. Ainda assim, dois ou três desse mocinho me satisfazem e o sabor nao é daqueles que me deixam com saudade de repetir tão em breve.

    Hoje, sou esposa e mãe (pois ééé) de monstricos-comedores-de-sushi-e-sashimi. E embora eu more num país onde não raro é encontrar um restaurante japonês em cada esquina devido a proximidade geográfica e a grande massa de imigrantes nipônicos que a Austrália possui, temos aqui em casa um pequeno rito que funda-se em irmos sazonalmente (ou quando a tal vontade bate) para a cozinha preparar sushi.
    O “evento” ganhou o nome de Family Sushi Night, e o marido, na condição de man da família, se encarrega de quase tudo. Eu fico apenas na assistência, enquanto a criança se diverte com toda aquela movimentação incomum e ensaiando para não fazer feio com o hashi.

    Em cada edição (eu disse que era um evento), o marido sempre inventa alguma coisa diferente, fazendo combinações de coisinhas que gosto, talvez com esperança de que eu comece a apreciar os tais sushis.
    Dessa vez, a novidade foi um rolinho só de arroz (eu não gosto da alga), com gergelim, camarão cozido, abacate, cenoura e pepino.
    Sim, eu comi alguns e não estavam ruins, mas continuo afirmando categoricamente que: não curto esse flanco da comida japonesa.

    Mesmo assim, achei que valia um registro dessa festinha gastronômica no CP e trouxe algumas fotos das… huuum… delícias (?!) feitas aqui em casa nesse fim-de-semana e que podem servir como inspiração para você leitor, que realmente é amante dessa culinária.

    O ritual de preparo em si é bem interessante e divertido e eu acho uma excelente pedida para reunir alguns  amigos e juntos confeccionarem suas próprias criações numa noite de papo, comilanças e risadas. Aliado a isso, se você colocar na ponta do lápis, verá quão econômico é preparar essas belezinhas em casa!

    A única coisa diferente que você vai precisar é uma esteirinha de bambu que, acredito, ser bem fácil de encontrar nas grandes cidades do Brasil. Uma faca bem amolada vai facilitar sua vida no corte do peixe assim como no dos rolinhos.
    Prepare uma boa panela de arroz de sushi (apenas com água e sal), que depois de cozido, leva vinagre de arroz (rice wine vinegar) e açúcar nas proporçoes que variam com o gosto do freguês.
    Peças de salmão e atum crus e frescos são indispensáveis. Camarões e polvo cozidos ficam ao seu critério.
    Além da alga para envolver os rolinhos, tenha para o recheio: cream cheese tipo Philadelphia, manga, pepinos, cenoura e abacate cortatos em palito. Um bom molho shoyo, gengibre em fatias finíssimas e o hot hot hot wasabi assinam o quesito tempero.
    Abaixo, vocês podem conferir que apesar de ter comido pouco, eu me diverti bastante  com a família!!!

    Cozinha Pequena indica:
    Um japaraguaio em 100 anos de imigração japonesa
    Gyosa
    Pasta  oriental

    Ah! Quer saber mais sobre comida japonesa?? Então clica aqui, aqui e aqui!

    August 27th, 2008 | Marcele | 5 respostas

Sobre o Autor

MarceleMartins

Marcele gosta de pessoas, comidas e lugares estranhos

5 respostas e Contando...

  • Cris 08.27.2008

    Nossa, Marcele!
    Cada foto maravilhosa!
    Tô chorando de rir vc falando dos seus namorados… hahahaha

  • Tô orgulhoso! Meu sushi no Cozinha… hehehe

    Cele, ainda vou ver você pedindo um peixinho cru…

  • Oi Cris! Obrigada!!!
    Pois é… mais irônico do que só namorar sushi lovers, é ter uma filha que pede por sushi!!! Beijo!!!

    André, vai sonhando… vai sonhando…. bj!

  • Mana,
    As fotos me deixaram com água na boca.
    O texto me deixou estarrecido.
    Mas o melhor foi aquele nosso episódio – na época da faculdade – em Pedra de Guaratiba, no japa do primo da Camila.
    Duas coisas que marcaram: apresentar ao luiz-gordo a raiz forte, confeccionada naquele molde de folhinha. Até hoje eu penso que comer uma folha INTEIRA, justificou cada “lágrima furtiva” que ele rolou, pela ardência que ele teve… afinal, pela orientação propositalmente errônea, ele pensava que era doce.
    e, por fim, aquele outro episódio do mirante do Leblon, qdo voltamos. Lembra qdo aquela onda da ressaca lavou todos vocês e eu que estava mais próximo da arrebentação, fiquei totalmente seco. Desculpe o trocadilho, mas alí ficou claro que vcs estão devendo e eu estou garantido pela Janaína (minha raínha e mãe d’água)

    Outra experiência de japa food que tivemos foi em Arraial em que devoramos – eu, vc, dé, amigos e famíliares – o equivalente a um sea world de hots…

  • HAHAHAHAHAHAHA!!!
    Fala Flê! Até tu por aqui, Brutus? ;-)
    Grandes jantares de índio! HAHAHAHAHA!!! Ainda bem que eu como YAKISOBA!
    Agora me explica: como uma brasileira “exilada” numa ilha a 13.400Km de distância das terras de Pindorama, que AMA cinema, bossa nova (da velha) e jazz clubs nova-iorquinos, faz pra matar a vontade de assistir ao filme DESAFINADOS?? Como? COMO? C-O-M-O?????
    Diga aí: tem coisas que só úm ticket aéreo faz por vc, né nao?!
    Beijo, véi!

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