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- Geléias e sorrisos:
Todas as vezes que eu visito um Farmer Market aqui em DownUnder, sempre fico surpresa com o número generoso de geléias que encontro. Elas estão lá independente da estação, colorindo as feiras e deixando os consumidores confusos com a aquela profusão de cores e sabores. Não raro, são vendidas por amáveis senhorinhas (muitas!) que, além da delicadeza dos potinhos indefectívelmente decorados por pedacinhos de pano xadrez, nos presenteiam com milhares de sorrisos fofos!
Sinceramente, eu não entendo muito sobre geléias mas tenho vaga e suficiente noção de que não é nada fácil de se preparar: selecionar, lavar e picar as frutas, cozinhá-las em fogo baixo por horas e mexendo de tempo em tempo, esterelizar os potes e tampas, costurar cada pedacinho de pano e amarrá-lo cuidadosamente em cada tampinha (geléia caseira de verdade NECESSITA desse acabamento rústico!) . Pensa que acabou? Junte aí mais duas tarefas: preparar e colar as etiquetas (rótulos) em cada pote e arrumá-los cuidadosamente nas cestas para levá-los ao mercado.
Definitivamente, nada fácil. Mas por que, por que meu Deus (!!!!!), eu encontro tanta gente envolvida com isso??
Para uma menina-moça-cria-de-cidade grande, acostumada a ouvir respostas sempre ligadas ao “sistema” quando o assunto é trabalho, a única coisa que justificaria tamanha dedicação dessas senhorinhas seria o lucro. (Sim, essas geléias são caras, bem mais caras que as do Supermercado convencional). Mas meu lado neta-de-vó-da-roça deu um grito alto e me levou a crer, ainda que de rompante, que havia algo mais por aí.
Na minha última visita ao Farmer Market de Wamboin (zona rural de Canberra) achei minha resposta.
Para todas as vezes que lançava a famigerada pergunta” Por que a senhora faz geléias?”, a explicação era sempre a mesma, como se combinadas elas estivessem:
- Fazer geléias é uma antiga tradição dos fazendeiros ingleses (Parênteses: para aqueles que estiveram na Lua durante esses últimos 300 anos; a Austrália foi colônia da Inglaterra). Aprendi com minha mãe. Essa é uma excelente maneira de ter um pouco do sabor das frutas durante todo o ano e ainda uma boa saída para lidar com as sobras da colheita, evitando o desperdício.
Mais adiante, outra pérola:
- Durante os anos 60 quando eu e minha família passávamos as férias de verão na fazenda, eu, meu irmão e meu pai colhíamos montanhas de franboezas. Chegando em casa, todos íamos para perto do fogão e passávamos a tarde juntos nos revezando, mexendo o grande colherão de pau no tacho transbordado de açúcar e fruta. Ah! E na proporçao perfeita: 50% de fruta, 50% de açúcar.
Acabada minha peregrinação no Farmer Market de Wamboin, eu estava convencida que, mais do que lucro e comércio, geléias são geléias por conta da tradição. Em cada um dos três potes que trouxe para casa, eu não adquiri somente um produto de alta qualidade. Além do sabor maravilhoso (uma vez geléia caseira, pra sempre geléia caseira!), os potinhos vieram com uma boa dose de histórias de famílias (as melhores, na minha opinião), uma mão cheia de herança cultural inglesa e claro, um milhão de sorrisos fofos!
- Panquecas de aveia:

Assim como a Debs, morro de amores por panquecas. E se elas forem “americanas”, mais estufadinhas que o normal (como a Debora ensinou semana passada) , melhor ainda! Sou capaz de comer uma pilha de tamanho respeitável, sem pestanejar. As de hoje são muito parecidas com a última receita publicada, mas acho que vale à pena ter mais de uma opção para deixar seu café da manhã ou lanche da tarde um luxo só!
Anote aí:
2 xícaras de chá de farinha de trigo
2 claras batidas em ponto de neve
2 gemas
2 ½ xícaras de chá de leite integral
2 colheres de sopa de açúcar
4 colheres de sopa (cheias) de aveia em flocosMisture a farinha, as gemas, o leite, o açúcar e a aveia até obter um creme homogêneo. Misture as claras no final.
Coloque essa mistura numa jarra ou em algum pote com bico. Ajuda muito na hora de acomodar na frigideira (que deve estar bem quente, assim como a Debora ensinou aqui).
Empilhei as gostosuras e servi com minhas super geléias caseiras de Womboin. Deixo aqui outra dica: elas são perfeitas com manteiga e mel.
Fica ao seu gosto!- Gratidão:
Sim pessoal, depois de um longo inverno, eu voltei. Pra ficar. De vez em quando vocês poderão ler os devaneios dessa humilde escriba-food-lover. Infelizmente, não como eu gostaria, na verdade, não com a frequência que este blog merece, mas com a mesma vontade, dedicação e carinho que me moveram naquele março de 2008 ou, como falam por aí, “onde tudo começou”.
Aos leitores que se desapontaram com a falta de periodicidade, peço imensas desculpas.
Aos leitores e vizinhos que me encheram de carinho através de e-mails, meu mais sincero e profundo MUITO OBRIGADA.
A querida Debs, nosso auxílio mais que luxoso, monstra-master na arte de fazer cozinha básica, minha nova companheira de crime, deixo aqui meu bem-vindo (mais um), dessa vez publicamente e meu abrigada por toda consideração e dedicação que você tem dado a nossa casinha.
And last but not least, ao Leandro, o principal culpado pelo sucesso (e que sucesso!) desse espaço virtual. O Cozinha Pequena hoje está cotado como um dos maiores blogs de culinária do Brasil (os números de visitas não nos deixam dúvidas, sorry!), graças a competência desse rapazinho que em nenhum momento deixou de estar aqui, trazendo, nem que por poucas linhas, seu bom humor, sua doçura e claro, sua paixão pela culinária e amor pelas panelas.
Obrigada por toda paciência e principalmente por não ter desistido de mim.
A você, todo o respeito, amizade e carinho que houver nesse vida.(Eu sei que vc odeia isso e acha cafona mas eu precisava dizer publicamente!)


9 respostas e Contando...
o fato de prometer que vai aparecer quando der, para mim é suficiente! =)
beijo!
Que bom que voltou, Cele…
Estava com saudades dos seus posts!
Que fofo, Marcele. Estava com saudades dos seus textos também. Bem-vinda.
Queridas Joana, Rita e Lilian:
Saudade é meu primeiro nome!
Obrigada pelo carinho!
Estava com saudade de sentir essa alegria!
Beijos!
Estava pensando…que pena ,ela sumiu!Tomara que volte,deve estar viajando muito.Que bom que voltou,teremos muitas receitas.Desculpe,mas vc poderia postar uma receita de geléia daí?Amo geléias,principalmente por essa tradição que a envolve,como vc contou.BJos!
Cacau, baby, parafraseando nosso amigo-rei-roberto: “eu voltei para ficar!”. Ah, e sim, dei umas voltas por esse mundão de meu Deus!
Vou tratar de achar uma receita de geléia beeem “aussie”, tá? Publico assim que puder!
Beijos e obrigada pelo carinho!
Olá prima! Que bom ler seus textos, ainda bem que voltou a postar, preciso e sempre que posso dou uma passadinha aqui para lê-los. Foi muito bom vê-los por aqui, pelas bandas tupiniquins. Tia Hilda, tio “Odinho”, Drica e eu mandamos muuuitos beijos para vcs daqui de Cachoeiras de Macacu – RJ!
Prima, que tal postar a receitinha daquele pastel de feijoada que o Rafa nos levou para comer no Bar do Mineiro lá no Santa Tereza heim? Acho que vai fazer sucesso
!
Ah, meu humilde blog está engatinhando, se der dá uma passadinha lá!ramoncunhafotografia.blospot.com
Muito sucesso! Te adoro!!!
[...] pelos blogs amigos de comida da internet, me deparei com essa receita maravilhosa no Cozinha [...]
[...] Panquecas, ultimamente, tem sido um tema recorrente por aqui… já falamos de panquecas light, panquecas com carinho… hoje é a vez das panquecas salgadas. Essa receita é incrível e sempre sempre dá certo. [...]