Mise-en-place – Ou Lição 1: como fazer um jantarzinho sem muita bagunça.

Postado por Debora em November 5th, 2009

O glamour dos grandes cozinheiros, quando salteiam legumes e flambam caldos, quando atiram para cima massas e panquecas, agregam molhos com uma rapidez quase mágica, esconde um segredo simples: o planejamento.

Parece óbvio o que vou dizer, mas você já parou para pensar um pouquinho antes de começar a realização de um prato?

Aqui vão algumas dicas que facilitarão sua performance na cozinha. E garanto que ao final delas, você poderá até acrescentar certo charme no preparo, arriscando-se também a manejar as frigideiras com o jeitão de qualquer chef famoso.

1. Escolha o prato a ser feito. Óbvio? Nem tanto! Isso pode mudar todo o processo, tempo de preparo, técnica de corte, escolha de temperos e ingredientes. O prato adequado à ocasião (geralmente queremos impressionar) é o começo de tudo. E mudar as regras no meio do jogo pode complicar a sua vida.

 (Eu decidi fazer um jantarzinho com arroz branco, bife acebolado, batata cozida e douradinha no forno, salada de escarola. Vejam que os ingredientes estão separados, é o passo 1.)

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2.  Verifique se você tem em mãos todos os ingredientes necessários. Leia a receita algumas vezes – ou se estiver fazendo tudo pelo famoso “olhômetro”, confira se o que você precisa está disponível.
 
3.   Confira se os ingredientes precisam ser lavados, picados, descascados, fatiados. E faça isso. Nesse momento, você pode separar o que está destinado ao prato principal, ao acompanhamento, à sobremesa. Se um ingrediente se repete, deixe todos os preparos prontos – rodelas, cubinhos, assim por diante, separados por quantidades necessárias.
 
4. Separe as quantidades da receita em pequenas tigelas. Se não tiver muitas tigelinhas, disponha em pequenos pratos, cada um com seu ingrediente, pois isso evita que haja transferência de sabores. Ninguém quer gosto de alho num morango, não é?

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(Nesse momento, eu já tinha cozido previamente as batatas – levei-as ao forno apenas para dourar com uns galhinhos de alecrim fresco, piquei e separei as quantidades – e tipos de cortes – de cebola e reservei a carne na geladeira, marinando no tempero, antes de realizar o preparo.)

5.  Comece sempre por aquele prato que demora mais para ser feito. Você não quer servir arroz frio como acompanhamento de um assado que te custou horas de forno, um purê de batatas ressecado, um risoto grudento, não é? Faça sempre o planejamento de realização do prato mais trabalhoso para o mais simples, do mais demorado para o mais rápido.

(Nesse jantar, coloquei as batatas no forno, antes de levar o arroz ao fogo, com um pouco de azeite. Esquentei bem uma frigideira, passei os bifes um a um por ela – esse processo se chama “selar” a carne – refoguei as cebolas na mesma frigideira e reservei. Quando as batatas e o arroz ficaram prontos, voltei os bifes e as cebolas para a panela para a finalização, para que os sabores se misturassem bem. Deixei a salada para temperar por último, já na mesa, para que os temperos não “queimassem” as folhas.)
 
6. Verifique também os utensílios que você vai precisar – fouet (batedor de arame), facas, garfos grandes (geralmente usado para carnes), colheres, frigideiras, formas, tábuas de corte. Durante uma fritura, por exemplo, não dá pra sair correndo atrás da escumadeira, porque você pode lembrar-se dela justamente naquele ponto em que o alimento queima se demorar a ser retirado do fogo e pode ser tarde demais. Depois que você bateu um bolo, não dá pra começar a aquecer o forno – isso pode custar a leveza e o crescimento da massa, e assim por diante.
 
7.  Outro item importante é a “água fervente” ou caldo fervente. Todo bom cozinheiro tem uma chaleira fumegante no fogão, já reparou? Você pode precisar dela a qualquer momento.
 
8.  Sem perceber, você acaba de realizar o mise-en-place, essa palavra chique em francês que significa “posta no lugar”, “colocar no lugar”. O preparo será muito menos trabalhoso e ao final dele, sua cozinha estará muito mais organizada.
 
9.  Tudo está lavado, picado, separado por ordem de preparo? O forno está quente? As formas estão untadas? É a hora de botar a mão na massa, literalmente. Aproveite para chamar a platéia e fazer o seu show, com jeitão de chef experiente. Ninguém vai perceber se você não for.

10. Sirva de um jeito bem bonito, finalize com um temperinho só seu (usei orégano nas batatas e pimenta-do-reino moída na hora na salada), porque nós comemos primeiro com os olhos, não é? Aposto que todos vão adorar… me conte tudo depois!!!

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22 Respostas em “Mise-en-place – Ou Lição 1: como fazer um jantarzinho sem muita bagunça.”

  1. Prato simples e bonito!
    Adorei o passo a passo…
  2. Deh,

    Que organização, e capricho!

    Parabéns
    Beijo

  3. Cara… pra cozinhar eu sigo um ritual. Sempre fazer a mise em place, mesmo que seja pra uma omelete. E sujo uma panela e já lavo. Nada de juntar louça. Se vejo aquele caos na cozinha eu produzo muuuuuito menos. Coisas que a falta de espaço ensinam…
    Beijo!
  4. Poliana,
    Obrigada! Nessa série de posts sobre “Cozinha básica”, vou procurar dar muitas dicas sobre o “passo-a-passo”.
    Beijim!
  5. Lena, obrigada!
  6. Oi Débora, adorei o post! Super didático! E finalmente alguém concorda comigo quanto à água quente! Minha chaleira está sempre lá, cheia, fumegante (às vezes nem uso), mas se ela não está, eu sinto falta! ;-)
  7. Eu antes achava que se picasse todos os ingredientes e colocasse em potinhos ia sujar louça demais, e não é que quando faço isso acaba tendo louça de menos no saldo final?
    Realmente quando escolho a receita de acordo com o que tem na geladeira e vou preparando na hora a cozinha vira um campo de guerra!!!

    Adorei o post

  8. Tatiana, não é sujar louça demais, não! Ajuda muito! E você pode também economizar os ingredientes, sabendo direitinho, com antecedência, o que você vai usar. É só pegar o hábito, você vai ver. Tente e me conte como foi.
    Beijim!
  9. Fernanda, eu começo a cozinhar e já coloco a chaleira no fogo. Aliás, ela quase nunca sai do fogão. É quase um ritual… mesmo que eu não use pra cozinhar, propriamente, eu retiro gordura das panelas, sempre aproveito de algum jeito. Não dá a maior cara de cozinha-de-amor uma chaleira fumegante no fogão? Eu acho. hehehehe Beijim!
  10. Deh, de fato, depois que comecei a fazer o mise-en-place minha vida mudou (nada mais de correr na vizinha para pedir um ovo emprestado e desastres do tipo… hahahaha!)Adorei o texto! Um beijo,
  11. Né, Luciana? E eu, que uma vez percebi que não tinha fermento quando o bolo já estava prontinho pra ir pro forno? Nunca mais sem “mise-en-place”, nunca mais… hehehehe Beijim!
  12. Meu marido vai amar, eu sou a maior bagunceira do Brasil!
    Hoje mesmo qro testar esse cardápio, adorei!
    To sempre acompanhando… beijos
  13. Natália, o legal é que dá pra fazer mise-en-place com qualquer cardápio… você vai ver como será mais prático. Depois me conte! Beijo!
  14. Amiga, pude sentir o perfume dessa refeição que vc preparou! Que capricho!!
    Eu sou um pouco desorganizada na cozinha e depois pago o preço pq eu mesma tenho q arrumar a bagunça! rs
    Estou amando isso aqui! Parabéns!
    Beijo com todo carinho!
    Leilah
  15. Oh querida Leilah. Obrigada. Beijim.
  16. Senti o cheirinho do alecrin na batata… hummm!!
    Até que não faço muita bagunça, mas já aconteceu de começar a fazer um bolo e, depois que bati todos os ingredientes, descobrir que não tinha fermeto. Horrível.
    Boa dica, Deh
  17. Mari, fiz essa batata e lembrei do Vini. Pra mim, será sempre a “Batata do Vini”. Beijim.
  18. Sem preparação não tem como sair tudo nos conformes.

    Bjo

  19. Nem te dei as boas vindas ainda né Débora??? Como sou maléducada, kkkkk!!

    Seja bem vinda ao Cozinha, ótimo texto!

  20. Má, não tem mesmo, né? No meio do caminho, a gente pode se atrapalhar feio!!! :)
  21. Rita! Oi!!! Muito obrigada por abrir as portas dessa delícia de blog. Estou adorando! Quando a gente vai juntar as panelas, hein? Quero te receber aqui na minha cozinha, a “real”. Beijo!
  22. Veja, as lições do velho Nacho!!!

    Ele vai gostar!

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